Resumo: segundo post da aba CI. Depois da NAND3 eu fui atrás do inversor, que é a célula mais boba do CMOS, e mesmo assim tinha coisa que eu não enxergava no papel: onde ficam os taps e por que o poli não pode encostar no well. Fiz a mesma parada de girar em 3D, agora com uma entrada só.

O inversor

Y = NOT A. Com A = 0 o pMOS de cima liga e puxa Y pro VDD, então a saída vai pra 1. Com A = 1 liga o nMOS de baixo e Y cai pro GND. Como os dois nunca ligam juntos, parado ele não gasta corrente.

A série nMOS pMOS Y
0 cortado conduz 1
1 conduz cortado 0

Aqui é mais fácil de ver que na NAND3: um transistor de cada lado, a mesma entrada na gate dos dois, e os dois drenos amarrados no mesmo nó (Y).

O esquemático

Esquemático do inversor CMOS: pMOS entre VDD e a saída Y, nMOS entre Y e GND, gate dos dois na entrada A. A VDD GND Y

Um pMOS em cima entre VDD e Y, um nMOS embaixo entre Y e GND, as duas gates ligadas em A. É a mesma estrutura da NAND3: a rede que puxa pra cima é o dual da que puxa pra baixo.

O layout

A célula segue o estilo da NAND3 (CMOS VLSI Design, Weste & Harris): uma tira de difusão P em cima, dentro do N-well, e uma tira de difusão N embaixo, no P-substrate. A diferença é que aqui só tem uma porta de poly, vertical, cruzando as duas tiras. É ela que faz o A controlar o pMOS e o nMOS de uma vez só. Em cima fica a trilha de Metal 1 do VDD, embaixo a do GND, e a saída Y sai pela direita, ligando os dois drenos.

Duas coisas que eu não conseguia ver no desenho 2D:

  • os taps. O de cima (N⁺) fica dentro do N-well, colado no VDD; o de baixo (P⁺) fica no P-substrate, colado no GND.
  • o poly não pode encostar no well. No primeiro 3D que eu montei a barra de poly da entrada entrava um pedaço dentro do N-well, que é o tipo de coisa que o DRC reclama na hora.

O modelo pra girar

Mesma pegada da NAND3. Clica em A pra trocar a entrada e as partículas mostram por onde a corrente anda; o slider separa as camadas; os checkboxes ligam cada uma.

Entrada:

Separar camadas
Corrente VDD → Y (carrega Y) Corrente Y → GND (descarrega Y) Channel on P+ N+ Poly Metal 1

Os taps N⁺ e P⁺

Layout real do inversor no gpdk045

Essa é a célula no layout de verdade, pra comparar com o 3D. Repare que o tap N⁺ (VDD) fica acima do pMOS e o tap P⁺ (GND) abaixo do nMOS. As fileiras de 5 contatos são os vias M1_NWELL e M1_PSUB.

Um tap é uma região de difusão fortemente dopada, do mesmo tipo do well/substrate, feita só pra puxar o potencial do body até um rail:

  • N⁺ tap contata o N-well (material N) e vai pro VDD.
  • P⁺ tap contata o P-substrate (material P) e vai pro GND.

Por que precisa: o well e o substrate são fracamente dopados, então metal pousado direto vira um contato retificador (Schottky), de resistência alta. A dopagem pesada do tap dá um contato ôhmico. E ele tem que ser do mesmo tipo do que contata (N⁺ dentro do N-well, P⁺ no P-substrate); se fosse do tipo oposto, virava um diodo. Amarrar o body no rail evita o body flutuar e o latch-up.

Girando dá pra ver o resto: o N-well só existe na metade de cima, as fileiras de contato amarram metal e difusão, e com A = 1 o caminho único desce pelo nMOS até o GND.